O ROUBO Jamais imaginei Economizar com a paixão. Era como uma tabula rasa, Outrora, imaturo e virginal. Desfazia-se em sorrisos, Rasgava-me de alegria E numa gostosa dor pungente Que anestesiava, Era um misto de amor bruto e celestial; Uma droga que hipnotizava. Não havia limites nem pudor Nesse amor seminal. Algo insano, Angelical. Quis fazer de meu coração Uma porta escancarada, Passe livre, Sem senhas; Apenas que me amassem, Já nem eu mais sabia Que tal porta existisse. No amor, estava completamente Entregue à própria sorte. Então, geralmente, à noite, Quando todos os gatos são pardos, Sorrateiramente, muitas ladras Na forma de anjos e sereias Entravam e saíam Tantas vezes de meu coração, Que aos poucos, Sem que eu percebesse, Ele foi sendo roubado e dilapidado, Que o amor perdeu o viço. Assim, perdeu a razão, Enlouquecido, Até um dia quedar Sozinho na...