A ESTRADA

 A ESTRADA  


A estrada

Que é minha,

Às vezes,

É colorida,

Tão clara,

Arejada,

Outras vezes,

Tão escura

Abafada

E cinza.


Ora é uma reta

Ora perigosa curva,

Ora estreita

Ora larga.

Ora pavimentada

Ora crua.


Imaginei que a estrada

Estivesse livre,

Limpa

E segura

Mas, um dia

Tornou-se

Íngreme,

Incerta,

Acidentada

E suja.


Tinha a impressão

Que era longa

A perder de vista,

Mas, agora,

Depois de tanto caminhar,

Já não tenho mais tanta

Certeza;

Parece curta.


Acreditava

Que sabia

Para onde ia,

Todavia me perdi,

Me feri

E para sobreviver

Tive que cortar caminhos

Como garantia.


A minha estrada

Tem muitos desvios;

Nunca foi bem sinalizada,

Muitas vezes,

Termina num abismo,

Outras vezes,

Parece armadilha

Num beco sem saída,

Numa encruzilhada.


Ainda assim,

Não me queixo

Ela é o proprio destino;

É minha solitária

Caminhada.


Paulo Rebelo , médico escritor e poeta


P.S. Meu amigo-A, minha veia de escritor ocorreu com o tempo, principalmente, a partir da observação do sofrimento alheio (ficava impressionado com tanta dor, que assustado pensava: "pode ser eu mesmo amanhã!" 🙄), mas aconteceu de eu adoecer e então, como já estive diante da morte e invalidez permanente (superados, felizmente), desenvolvi uma profícua arte literária na forma existencial. Passei a ver vida e morte com menos aflição. Como médico, arguto observador e partícipe; como poeta, buscando dar algum sentido a isso. Creio que tenha conseguido. Procurando amenizar ou neutralizar minhas próprias aflições, passei a contar indiretamente a minha vida e dos outros através da poesia. É o meu antídoto e panaceia.


Espero que aprecies o poema A ESTRADA.


Paulo Rebelo, médico escritor e poeta

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