CACOS 19.05.2026-8:30
CACOS
Se eu cheguei onde estou
Nada foi pensado
Tudo foi por acaso
Porque muitas vezes
Estava correndo
Aos trancos e barrancos
Apressado
Às vezes absorto
Ou confiante
Acabei tomando muitos
Caminhos errados
Estavam cheio de armadilhas
Eram becos sem saida
Labirintos
Abismos
Sinais trocados…
Quando me dei conta
Estava completamente perdido
E atrasado
Já cheio de dúvidas
Quando retornei
Para corrigir o rumo
Mais de uma vez
Peguei desvios
Atalhos
E ao final,
Lá estava eu no mesmo lugar
Com receios
Inseguro e em frangalhos.
Durante minhas andanças
Pelas veredas
Eu recolhia migalhas
Que ficaram por aí
Colando meus cacos
Como colcha de retalhos
Mas, mesmo ferido,
Finalmente,
Cheguei a salvo!
Paulo Rebelo, médico escritor e poeta
P.S. Inspirado em EU MAIOR, de Rubem Alves.
O poema é de cunho existencial: o EU-lírico dividido. Há minha autobiografia embutida nele.
Quando escrevi o texto numa só toada, pensei nas coisas que planejei e deram errado ou em nada, e noutras que deram certo sem eu planejar ou mesmo imaginar. Ao final, cá estou eu...a salvo.
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