CRÍTICA-CACOS/Antônio Soares

É um poema de forte tom confessional e introspectivo. Ele utiliza a clássica metáfora da vida como uma jornada (ou caminho), mas subverte a ideia de que o sucesso ou a chegada a um objetivo sejam frutos de planejamento, mérito calculista ou escolhas perfeitas. Pelo contrário, o eu-lírico apresenta uma trajetória marcada pela vulnerabilidade, pelo erro e pelo acaso.


Cacos” é, acima de tudo, um poema sobre sobrevivência. Não sobre perfeição, nem sobre sucesso absoluto, mas sobre continuar caminhando mesmo em ruínas. E talvez seja exatamente isso que lhe dá força: ele reconhece que muitos seres humanos chegam ao fim da jornada não inteiros, mas remendados — e ainda assim chegam.


Pode ter outro sentido intrínseco e recôndito que só o autor pode dizer.

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