SEM SENTIDO

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SEM SENTIDO*

Por Paulo Rebelo 


Eu sei, eu sei…


Pode parecer estranho


E sem sentido


O que vou te dizer:


HĂŁo de falar que estou insano,


Tampouco sou espĂ­rita


NĂŁo foi nada psicografado,


mas em mim incorporado


É como pacientes que um dia atendi


Estivessem Ă  noite ao meu lado


(muitos já mortos)


E dissessem sussurrando em meus ouvidos:


“Escreva sobre a minha dor, doutor”.


(No fundo, também, é a minha própria)


Paulo Rebelo, o médico escritor e poeta.


Nota: houve um tempo em que a imagem de pacientes que eu atendia durante o semana eram tĂŁo nĂ­tidas, que parece que vinham conversar comigo durante minhas longas horas insone durante as madrugada.

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