ANALFABETISMO FUNCIONAL I.A..
A partir da imagem, podemos compreender o analfabetismo funcional como uma dificuldade individual de utilizar a leitura e a escrita de maneira efetivamente funcional, mesmo quando a pessoa consegue reconhecer letras, palavras e até produzir frases simples.
Analfabetismo funcional — como disfunção individual
O ponto central é a ruptura entre o signo, o significado e o referente — justamente os três elementos sugeridos na imagem.
A pessoa pode decodificar o signo, isto é, reconhecer graficamente uma palavra. Porém, pode não conseguir construir adequadamente o significado que aquela palavra ou frase transmite e, consequentemente, relacioná-lo ao referente, isto é, à realidade concreta a que o texto se refere.
Por exemplo:
"É necessário tomar este medicamento após as refeições."
Uma pessoa funcionalmente alfabetizada não apenas lê as palavras. Ela compreende a relação entre elas, interpreta a instrução e consegue transformá-la em uma ação.
No analfabetismo funcional, pode ocorrer algo diferente: a pessoa lê a frase em voz alta, mas tem dificuldade para explicar o que ela significa ou para aplicar corretamente a informação.
Em termos cognitivos
Não se trata simplesmente de "não saber ler". O indivíduo pode apresentar:
- capacidade de reconhecer letras e palavras;
- capacidade de pronunciar ou copiar textos;
- vocabulário escrito relativamente limitado;
- dificuldade de compreensão textual;
- dificuldade para estabelecer relações entre diferentes informações;
- dificuldade para fazer inferências;
- dificuldade para identificar a ideia principal de um texto;
- dificuldade para interpretar informações implícitas;
- dificuldade para utilizar a informação escrita na resolução de problemas cotidianos.
Portanto, existe uma diferença fundamental:
Alfabetização:
"Consigo ler o que está escrito."
Alfabetização funcional:
"Consigo compreender o que está escrito e utilizar essa informação."
Um exemplo muito simples
Imagine uma bula que diga:
"Tomar 1 comprimido a cada 8 horas."
O indivíduo pode perfeitamente ler:
"Tomar um comprimido a cada oito horas."
Mas, se não consegue compreender que isso significa três tomadas aproximadamente distribuídas ao longo de 24 horas, a decodificação ocorreu, mas a compreensão funcional da informação falhou.
Uma ressalva importante
Eu evitaria chamar o analfabetismo funcional, isoladamente, de "disfunção cognitiva individual". O termo pode sugerir uma doença neurológica ou psiquiátrica, o que não é necessariamente o caso.
É mais preciso dizer:
O analfabetismo funcional é uma limitação na capacidade de utilizar a leitura, a escrita e a interpretação de informações de maneira adequada às demandas da vida cotidiana, apesar de existir algum grau de alfabetização formal.
Ele pode decorrer de escolarização insuficiente, baixa qualidade educacional, pouca prática de leitura e escrita e outros fatores socioculturais, e não significa, por si só, deficiência intelectual ou doença cerebral.
Em uma frase:
O analfabeto funcional consegue, em algum grau, decifrar o código escrito, mas encontra dificuldade para transformar o que lê em compreensão, significado e ação.
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