A DIREITA É ABOMINÁVEL

A DIREITA É ABOMINÁVEL*

Por Paulo Rebelo 


ATÉ O APARECIMENTO DE BOLSONARO, um deputado federal desconhecido do início do século XXI, acredite, eu não sabia que ser heterosexual, cristão, casado, ter filhos, um bom emprego e casa própria, não usar drogas e ser contra o aborto era ser de "DIREITA", como fosse um crime ser "conservador", e ainda mais se eu defendesse esses valores publicamente fosse caluniado de "extrema-direita", sinônimo de fascista, nazista, racista, etnofóbico, misógino e aporofóbico pela esquerda. Isso me chamava a atenção, mas não a ponto de me incomodar.


Todavia, foi somente após Lula, sujeito ladino e isracível, vir com o lema "NÓS CONTRA ELES" para fazer frente à onda crescente do surgimento da direita brasileira, capitaneado pelo ex-presidente BOLSONARO contra o próprio Lula e seu projeto de poder, empurrando uma agenda progressista confusa e complexa, oportunista, demagogica e populista, que eu me despertei. Havia algo de grave acontecendo na sociedade brasileira, que passou a ser dividida em brancos x negros, heterossexuais x LGBTQIA + e ricos x pobres. Aos olhos da esquerda libertária (que não sabia que existia e sim, dos comunistas e guerrilheiros da década de '70), de repente, eu, um cara respeitador da moral e ética vigentes, da noite para o dia me tornei um criminoso por pensar diferente dela e defender meus mais lídimos princípios liberais economicamente e não liberais nos costumes. Dito isso, passei a vê-la com muitas reservas e passar combater seu discurso politico-social agressivo, envelopado de Paz & Amor.


Assim desde que Lula assumiu o poder com o mote "LULA LIGHT" e sua CARTA AO POVO BRASILEIRO, que procurava tranquilizar empresários, investidores, setores da classe média e o mercado financeiro, haja vista que Lula havia disputado três eleições presidenciais sem vencer; em 1989, 1994 e 1998, ele buscava seduzir articulados e influentes formadores de opinião: a classe média intelectualizada composta de acadêmicos, intelectuais, educadores, artistas, magistrados, jornalistas, professores e estudantes universitários e etc., todos já de viés socialista. Em 2002, ele precisava ampliar sua base eleitoral e demonstrar que, caso eleito, não provocaria uma ruptura econômica descontrolada.


A carta procurou responder a essa preocupação: Lula queria mostrar que era possível mudar o Brasil sem provocar uma crise institucional, financeira ou econômica. Enganou a todos, inclusive a classe média, que foi seduzida por ele. Disso nasceu uma classe média dissidente da tradicional, dita "esclarecida" ou "consciente": a patética, contraditória e pedante burguesia esquerdista brasileira, que arrota socialismo e se refestela no mais puro consumismo do capitalismo selvagem e nem filho sabe criar direito.


A classe média socialista, eleitora de Lula, não mais indiferente ao ser humano que sofre com a desigualdade e injustiça social, se realiza como ser humano através dele, sendo por ele batizada.


Com Lula eleito e reeleito três vezes e mais Dilma Rousseff, a burguesia socialista brasileira, empoderada, articulada e influente, passou a agir como se fosse a vestal da moralidade, posando de humanista e humanitária, que cuida dos Pobres & Minorias. Lula, então, é o seu ALTER EGO, buscando ditar e impor o comportamento da sociedade brasileira, realizando por ela o que ela gostaria de ter feito e não tem poder nem competência para tal. Isso já se vai mais de duas décadas.


Ao longo do tempo, Lula (e seus marqueteiros como Duda Mendonça) vendeu a ideia que ele era o presidente que mais Programas Sociais universidades e institutos federais criou (obviamente um exagero), ignorando toda uma história de benefícios sociais governamentais anteriores a ele, escanteando Getúlio Vargas, os Presidentes Militares, Betinho (que criou o FOME ZERO), José Sarney (que criou o SUS), FHC, Temer e até Bolsonaro, e que diz ter tirado o Brasil do Mapa da Fome 2 vezes e dando oportunidades para que o filho da lavadeira pobre e negra se tornasse "doutor", pois fazer um classe média de cabresto é o seu sonho de consumo. "deselitizando a medicina", portanto o Pai dos Pobres, o maior presidente que o Brasil já teve, o estadista que fará o Brasil ser respeitado no mundo.


Lula diz que "não existe no Brasil nenhuma viva alma mais honesta do que eu", obviamente, apedeuta, arrogante, parlapatão, mitômano e megalomaníaco, sem falar nos escândalos politico-financeiros nos quais esteve envolvido até o pescoço, inclusive, preso durante dois anos na Lava-jato, que disse ter sido "inocentado".


A classe média socialista paz & amor, eleitora de Lula, se realiza como ser humano através dele e vai defendê-lo até a morte, se redimindo de seus pecados burgueses.


Paulo Rebelo, médico escritor e poeta 


NOTA: * a frase foi proferida pela emérita professora de filosofia da USP Marilena Chaui.


A burguesia socialista dissidente, contraditória e hipócrita, tem todas as qualidades e defeitos (exibicionismo e ostentação) da classe média clássica ou tradicional: é elitizada e quer exclusividade; egocêntica e aporofóbica, adora uma picanha com cervejinha na pergola da piscina do condomínio onde mora confortavelmente, enquanto já ébria discursa sobre a desigualdade e injustiça sociais no Brasil.

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