O MULTIBILIONÁRIO

 O MULTIBILIONÁRIO

Acordei multibilionário! Não imagines que eu esteja delirando ou alucinando, que eu realmente esteja deitado sob rios de dinheiro ou que minhas ações tenham valorizado 1000% nas bolsas de valores pelo mundo afora.
Sim, estou multibilionário e muito mais que isso, mas não como desejaria a maioria dos homens e que poderiam me invejar e até me matar por isso, seduzidos pelo amarelo do ouro, pela pureza translúcida dos diamantes, pelo verde das esmeraldas ou o azul turquesa da safira; todos encegueirados e afoitos para possuir bens materiais desse mundo; ter tudo e todos a seus pés.
Minha fortuna é outra natureza! Não preciso guardá-la num cofre a sete chaves. Não preciso escondê-la debaixo da cama, tampouco enterrá-la em algum lugar no campo, onde poderiam desconfiar que lá estivessem um pote de moedas de ouro no fim do arco-íris, imaginando eles que eu, ao morrer, iria levá-lo para a minha tumba abaixo de uma gigantesca pirâmide egípcia, repleta de labirintos sem saída, como que demonstrando a todos e para a eternidade, que eu fora o mais rico dos homens na face da terra.
Não, não é nada disso. Não temo ser saqueado! Pois, não preciso colocar minha fortuna em nome de laranjas, não preciso de escolta policial nem de carros fortes, tampouco de guarda-costas! Nem preciso andar armado! Nem colete à prova de balas tenho eu. Meu carro não é blindado. Não tenho medo de ser sequestrado!
Minha riqueza é metafísica! É de outra dimensão, do tamanho divino. SOU PAI! É do tipo que anúncio a todos com imensa alegria, exponho em praça pública e em cartazes nas avenidas. Grito pelo ALTO FALANTE! Porquanto, é do tipo que não omito nem um só instante de minha felicidade, que extravasa pela minha pele, que explode em meu peito. Impossível de ser contida! O meu estado de espírito, a minha completude aberta para o mundo, não guardada em bancos nem em museus, como se fora algo raro. Só é minha. É intransferível, inegociável, inalienável. Impossível de ser furtada!
E quanto mais eu falo de minha alegria, mais afortunado resto, daquela fortuna inestimável, que construí ao lado da mulher que me deu filhos; ela que um dia sob as bênçãos de DEUS elegi para ser minha, o berço e criadouro do maior tesouro que guardo profundamente em meu coração:
A FAMÍLIA!
Paulo Rebelo, o médico poeta.

FELIZ DIA DOS PAIS!
🩺❤️🩺
Curtir
Comentar
Compartilhar

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O BURGUÊS E O METALÚRGICO

PARA DEPOIS

DOM QUIXOTE E SANCHO PANÇA