ENSINA-ME A VIVER

Por Paulo Rebelo 


A minha crônica ignorância, 

Fruto de meu autodidatismo

E estreiteza da consciência me sufoca.

Um dia ainda me matará;

Nem eu mesmo a tolero,

Mas resisto bravamente, 

Pois a vontade de acabar com ela 

E me tornar um homem livre

É que faz minha vida interessante

E meio que aos trancos e barrancos

Lá em sigo adiante.


É que não quero morrer sem

Ter vivido plenamente.

Deus, ensine-me a viver!


Felizmente, a riqueza de minha modesta vida

Ainda subsiste na minha capacidade de me maravilhar

Com os insondáveis mistérios,

Que insisto em perscrutá-los,

Mesmo com as coisas simples

Que ocorrem ao meu redor.


Meus olhos ainda brilham.

Não perdi o viço;


Nessa hora o tempo para

E passo a prestar atenção para as coisas pequenas.


Por um instante minha vista

Mergulha no infinito em busca de respostas.


São as perguntas que faço no recôndito de minha alma fugidia,


Mas então, eis que do nada

Elas surgem em razão de minhas dúvidas.


Enfim, a beleza inefável 

Está no que vejo nos outros,

Noutros lugares.


Como num passe de mágica,

O deslumbramento.


Assumo então, que minha vida é muito diferente e única,

Mas não melhor do que a dos demais.


Acontece de repente sem que eu espere,

O avivamento,

Quando tudo parecia rotineiro, monótono 

E de pouco sentido ou valia. 

Então, como um facho de luz celestial 

Que me desperta, 

Vem um chamamento à vida 

Que me passava ao largo 

E sem chamar atenção. 


Acabo sendo resgatado 

Para o real motivo de minha existência, 

Surpreendido por pequenas coisas insuspeitas 

Ou gestos feitos por pessoas comuns e desconhecidas, 

Frequentemente, de lugares distantes,

Do outro lado da cidade,

Do outro lado do mundo,

Principalmente, através da internet,

De outras culturas e idiomas, 

Lugares que nunca irei.


Desde então, meu mundo nunca mais foi o mesmo.

A minha mente passou a voar.


Todavia, são coisas assim

Que me dão a exata noção da diversidade da vida,

E que busco compreender,

A razão de minha existência

Da dimensão de meu espaço no mundo.


Assim sigo ainda com mais vontade de viver,

Sem contar os anos que me restam,

Continuando a fazer perguntas sem respostas,

Maravilhado pelos

mistérios da vida...


Paulo Rebelo, médico escritor e poeta.

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